Showing posts with label Brasil. Show all posts
Showing posts with label Brasil. Show all posts

November 13, 2025

BRASIL: NOTAS SOBRE MONTANHAS, TERREMOTOS E A ILHA DO MARAJÓ

Nesta postagem, abordaremos três temas que precisam ser esclarecidos para fundamentar discussões deste blog e de projetos irmãos: a nomenclatura de montanhas, a listagem correta dos maiores terremotos do Brasil e a verdadeira linha de tensão da Ilha do Marajó.


MONTANHAS

No campo da geografia física, poucos temas geram tanta confusão quanto a definição precisa de montanhas e de seus pontos culminantes. Termos como chapadas, serras, montes, maciços e picos costumam ser usados de forma indistinta ou ambígua, criando incerteza e fragilidade na hora de nomear esses elementos do relevo. A situação se complica ainda mais quando se tratam de pontos culminantes individuais: em torno do Everest, por exemplo, existem dezenas de protuberâncias topográficas que poderiam ser consideradas “picos” mais altos que o K2, o que faz com que os supostos 10 ou 20 maiores pontos culminantes do planeta se concentrem todos na mesma área — algo que, do ponto de vista nomenclatural e conceitual, não faz sentido algum.

O uso do termo pico para definir esses elementos geográficos é problemático, pois muitos maciços apresentam vários picos tão próximos e integrados entre si que não podem ser considerados unidades independentes. Além disso, algumas feições topográficas nem sequer possuem um pico distinto, como ocorre no Monte Roraima ou na Pedra da Mina. A palavra monte também gera conflitos, já que diversas formações que recebem esse nome não atendem aos critérios esperados para um “monte” propriamente dito — o prórpio Monte Roraima, por exemplo, não se enquadra nessa categoria de forma rigorosa.

A nomenclatura das montanhas e dos pontos culminantes do Brasil é amplamente conflituosa e ignora, em muitos casos, o critério da distinguibilidade entre os elementos. O Pico 31 de Março, por exemplo, é topograficamente indistinguível do Pico da Neblina, mas ainda assim é tratado como o 2º mais alto ponto culminante do país. O mesmo ocorre com o Pico do Calçado e o Pico do Cristal, que não se diferenciam de forma topográfica do Pico da Bandeira, embora apareçam entre os dez maiores pontos culminantes do país. Situação semelhante se observa na Serra do Itatiaia: a Pedra do Sino do Itatiaia e o Morro do Couto não podem ser distinguidos topograficamente do Pico das Agulhas Negras como unidades autônomas, embora frequentemente sejam listados como tais.

Para evitar essas inconsistências e trabalhar apenas com unidades realmente distintas, propomos aqui o conceito de pontos maximais: os pontos mais altos de unidades topográficas que podem ser diferenciadas de forma objetiva, onde cada unidade é monorrepresentada por seu ponto de maior altitude. A partir desse critério, o Pico da Neblina e o Pico 31 de Março passam a ser entendidos como parte de uma mesma unidade topográfica (um excelente texto que já versava sobre a insuficiência do 31 de Março pode ser visto em Alta Montanha), cujo máximo de relevo é o próprio Pico da Neblina. Da mesma forma, o Pico do Calçado, o Pico do Cristal e o Pico da Bandeira pertencem a uma única unidade, representada pelo máximo de relevo correspondente — o Pico da Bandeira. E assim sucessivamente para os demais casos.

A delimitação entre unidades topográficas pode ser simples em alguns casos, mas também pode gerar confusão, especialmente quando envolve feições que recebem múltiplos nomes — montanha, monte, pico, serra, tepui, chapada, entre outros. Quando houver ambiguidade, a análise necessariamente envolve certa subjetividade e depende do bom senso, não sendo objetivo deste texto aprofundar tais critérios. Dentro dessa perspectiva, a nomenclatura de pontos maximais deve ter prioridade sobre outras designações referentes a pontos mais altos, como 'pontos culminantes', 'picos culminantes' ou 'montanhas mais altas'.

Nestes termos, podemos então listar os pontos maximais do relevo do Brasil — levando em conta a numeração da lista destaca em Wikipedia para os 15 primeiros da lista e seus equivalentes — na ordem:

1. Pico da Neblina (2995m, 1º e 2º) ‣ inclui o Pico 31 de Março (2º, 2974m).

2. Pico da Bandeira (2891 m, antigo 3º) ‣ inclui o Pico do Calçado (4º, 2849m), Pico do Cristal (7º, 2769m), Morro da Cruz do Negro (13º, 2658m) e Pico do Tesouro (14º, 2620m).

3. Pedra da Mina (2798 m, antigo 5º)

4. Pico das Agulhas Negras (2791m, antigo 6º) ‣ inclui o Morro do Couto (9º, 2680m), a Pedra do Sino do Itatiaia (10º, 2670m) e o Pico do Altar (12º, 2665m).

5. Monte Roraima (2734m - porção brasileira)

6. Pico dos Três Estados (2665m, antigo 11º) ‣ apesar de seu pico estar a apenas 5 km do pico da Pedra da Mina, ele é suficientemente distinto devido a um profundo vale separando ambos.

7. Pico Santo Agostinho ou Garrafão (2425m, antigo 15º) ‣ maior máximo de relevo brasileira inteiramente contida num mesmo estado.

8. Pico dos Marins (2421m, antigo 16º)

9. Pico Maior de Friburgo (2366m, antigo 17º)



TERREMOTOS DO BRASIL APÓS 2017

Um tema especialmente marcado por desinformação, listas conflitantes, dados imprecisos e até certo sensacionalismo é o dos terremotos no Brasil. Diferentes plataformas — muitas delas internacionais — divulgam registros de supostos eventos acima de 7 graus na escala Richter em território brasileiro, frequentemente com datas que não correspondem às reportagens da imprensa. Esta, por sua vez, também contribui para ampliar a confusão sobre o real histórico sísmico do país.

Entre as referências mais citadas estão Biggest Earthquakes Near Brazil (BE, Earthquaketrack), que atribui 23 terremotos ao Brasil com magnetude acima de 6, e Latest earthquakes near Brazil today (LT, Brazil Earthquake Report), que aponta 5 ocorrências no país. Embora mantidas por instituições respeitáveis, ambas apresentam inconsistências importantes. Para trabalhar com dados consolidados e tecnicamente mais confiáveis, adotamos aqui a compilação de Preve, D’Espindula(b) e Valdati (Geografia Física e Desastres Naturais, 2017), que reuniu todos os terremotos superiores a 5 Mb (Magnitude de Ondas de Corpo) registrados no Brasil entre 1900 e 2017, e os dados das plataformas supracitadas para dados após 2017: LT com M6.8/050119 (Tarauacá, VER), M6.6/200124 (Ipixuna, VER), M6.5/280124 (Tarauacá, VER), M6.5/070622 (Feijó, VER); e BE com M6.8/05012019 (Tarauacá, VER), M6.6/20012024 (Ipixuna, VER), M6.5/08062022 (Feijó, VER), M6.5/28012024 (Tarauacá, VER).



ILHA DO MARAJÓ

A classificação da ilha do Marajó apresenta ambiguidades porque se trata de uma ilha fluviomarinha com uma complexa rede hidrográfica em sua porção sudoeste. Nessa região, canais, furos e regatos interconectam os fluxos de água e acabam gerando novas ilhas. Ainda não há discussão científica consolidada sobre se essas ilhas secundárias podem ser consideradas unidades independentes da ilha principal.

Neste texto, adotamos o entendimento de Marajó em sua extensão integral, delimitando-a, pelo sudeste, pelo Furo dos Macacos — cuja profundidade e dinâmica de fluxos justificam essa fronteira. Os cursos d’água de menor profundidade presentes no interior da ilha são aqui tratados como elementos secundários, insuficientes para redefinir ou fragmentar o conceito da ilha do Marajó.

December 02, 2022

MÚSICA EM VÍDEOS (1)

Carlos Rilmar/Terreal, 1995


Pepeu Gomes/Xou da Xuxa, 1993

November 01, 2022

NOT SO FAR

Below are the most distant points from Brazil in the territories of Guyana, Paraguay and Uruguay. None of them exceeds 500 km. In the Guianas, the furthest point is in the north of Suriname and is no more than 382 km from Brazil at the height of N Pará. In Paraguay, the furthest point is in the westermost point of country and is no more than 477 km from Brazil at the height of Mato Grosso do Sul. In Uruguay, the furthest point is in southern extreme of country and is no more than 412 km from Brazil at a point in SE Rio Grande do Sul state.

October 17, 2022

OS BANDEIRANTES DO BRASIL

Demonizados por uns, idolatrados por outros, os bandeirantes foram essenciais para a construção do espaço geográfico brasileiro. Houveram várias dezenas de homens auto-intitulados ou classificados como tais, como escravocratas, exploradores, sertanistas, aventureiros, a grande maioria da região de São Paulo, mas alguns de outras partes da colônia, e tantos outros de Portugal. Abaixo, os 6 maiores bandeirantes de todos os tempos, na perspectiva do Vox Hub.


Fica aqui um registro deste controverso grupo, e num blog que enfatiza muito da geografia moderna brasileira, um reconhecimento do legado deste homens para a construção do Brasil como conhecemos.

October 12, 2022

EXPANSÃO TERRITORIAL DO BRASIL

Um sumário detalhado de todoas as ocorrências no mapa do Brasil desde a chegada dos europeus. Foram 12 tratados (Tordesinhas, Lisboa, Utretch I, Utretch II, Lisboa, Madrid, Santo Idelfonso, El Pardo, Badajóz, Viena, Rio de Janeiro e Ayacucho), 8 badneirantes citados (Antônio Macedo, Domingos Luís Grau, Nicolau Barreiro, Manuel Preto, Belchior Dias Carneiro, Bartholomeu Bueno da Silva, Raposo Tavares e Jacques Félix) e 4 metrópoles na disputa: Portugal, Espanha, Holanda e França.

1500

1534 - formação das capitanias hereditárias delimitadas pelo Tratado de Tordesilhas.

1555 - invasão francesa no Rio de Janeiro: França Antártida.

1556 - criação da Capitania de Itaparica, a partir da Bahia de Todos os Santos.

1566 - criação da Capitania de Paraguaçu, a partir da Bahia de Todos os Santos.

1567 - criação da Capitania do Rio de Janeiro, a partir da do setor norte de São Vicente.

1572 - divisão das colônias portuguesas em setor norte e sul (Maranhão e Brasil).

1574 - criação da Capitania da Paraíba, a partir da de Itamaracá.

1575 - expulsão dos franceses do Rio de Janeiro.

1580 - a coroa portuguesa e espanhola são unificadas: União Ibérica põe fim no Tratado de Tordesilhas.

1590 - criação da Capitania do Sergipe del-Rei, a partir da Bahia de Todos os Santos.

1593 - bandeira de Antônio Macedo e Domingos Luís Grau, de São Vicente, percorre a margem leste do Rio Tocantins até a área atual do estado de mesmo nome. Por causa dessa exploração, que definiu o alcance vicentino, o limite das demais capitanias poderia ser traçado até ela, ao menos em termos de reivindicação.

1599 - as capitanias do Maranhão, Ceará e Rio Grande são unificadas como Capitania do Rio Grande. "Paulistas", em terras de Santo Amaro, exploram a margem esquerda do Rio Tietê, a partir da cidade de Itavuvu (futuramente Sorocaba).

1600

1602 - bandeira de Nicolau Barreiro atinge o Rio Paraná, o Rio Paraguai e terras da atual Bolívia.

1607 - bandeira de Manuel Preto e de Belchior Dias Carneiro exploram o Sul do Brasil.

1611 - criação da Capitania do Siará a partir da do Rio Grande.

1612 - invasão francesa no Maranhão, na Capitania do Siará: França Equinocial. Os franceses, de fato, exploraram a área até o Rio Tocantins, no Sul.

1616 - expulsão dos franceses. Criação da Capitania do Maranhão e da Capitania do Grão-Pará.

1619 - extinção da Capitania de São Tomé, incorporada pela Capitania do Rio de Janeiro.

1621 - criação do Estado do Maranhão, composto pelas Capitanias do Siará, do Maranhão e do Grão-Pará. Criadas também as "sub-capitanias" do Mearim e do Itapicuru, na Capitania do Maranhão. Entradas de Bento Maciel Parente, pelo Rio Xingu, de Francisco de Azevedo, pelos sertões do Turi e do Gurupi, expandem o território do Grão-Pará.

1622 - entrada de Luiz Aranha de Vasconcelos explora o sul do atual Amapá, ampliando os domínios da Capitania do Grão-Pará.

1624 - criação da "sub-capitania" do Cumã. A Capitania de São Vicente incorpora a de Santo Amaro e a de Santana. Alijada do controle da Capitania de São Vicente, a Condessa do Vimieiro, Mariana de Souza Guerra, estabelece a Capitania de Itanhaém. Há entendimentos que São Vicente e Itanhaém foram uma mesma capitania. 

1630 - invasão holandesa na Capitania de Pernambuco.

1632 - bandeira de Bartholomeu Bueno da Silva desbrava a região do Triângulo Mineiro e margem esquerda do Rio São Francisco. Bandeiras de Raposo Tavares e Manuel Preto conquistam o "Mato Grosso do Sul", destruindo missões espanholas. O Grão-Pará domina a margem direita do Rio Xingu.

1633 - criação das "sub-capitanias" do Gurupá e do Cametá, na Capitania do Grão-Pará. Bandeira de Raposo Tavares invade a zona costeira do "Rio Grande do Sul".

1634 - holandeses tomam as capitanias do Rio Grande e da Paraíba. Criação da "sub-capitania" do Caeté, entre o Grão-Pará e o Maranhão. Bandeirantes vicentinos exploram o "Mato Grosso".

1635 - holandeses invadem a Capitania do Siará. Com a instituição da Freguesia de Ubatuba, a Capitania de Itanhaém avança no Vale do Paraíba. A região de Angra dos Reis e Paraty são assumidas por São Vicente (ou mesmo Itanhaém).

1637 - holandeses conquistam a Capitania do Sergipe del-Rei. Criação da "sub-capitania" do Cabo Norte, no Grão-Pará (atual Amapá). A entrada de Pedro Teixeira explora a região amazônica quase que inteira, funda Franciscana na altura do Peru, e declara as terras propriedades do Estado do Maranhão.

1638 - a República do Guairá (atual Oeste Paranaense), composta de espanhóis, jesuítas e índios, é destruída pela Bandeira de Raposo Tavares, e a região é incorporada à São Vicente. Outras missões, ao sul, também são destruídas e incorporadas.

1640 - fim da União Ibérica (ao menos, por parte dos portugueses).

1641 - holandeses invadem a Capitania do Maranhão e dominam a costa da região até a foz do Rio Mearim.

1644 - holandeses são expulsos da costa do Maranhão.

1645 - criação da "sub-capitania" de Vigia, no Grão-Pará.

1648 - bandeira de Jacques Félix, que adentrou em "Minas Gerais" em 1946, partindo de Taubaté, toma as regiões nunca exploradas do Espírito Santo e do Rio de Janeiro para a Capitania de Itanhaém. Recriadas as "sub-capitanias" de Cumã, Mearim e Itapicuru, no Maranhão.

1652 -o Estado do Maranhão é dissolvido. Bandeira de Raposo Tavares, que viajara às terras do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bolívia, Peru (chegou ao Pacífico) e Amazônia (foz do Amazonas), retorna a São Paulo e acrescenta a região de Rondônia à São Vicente.

1654 - holandeses são expulsos do nordeste brasileiro. É formado o Estado do Maranhão e Grão-Pará. São recriadas as capitanias de Pernambuco, Itamaracá e Rio Grande. Paraíba é uma capitania subalterna à Pernambuco e Ceará subalterna ao Maranhão

1656 - criação da Capitania de Paranaguá, ao sul do Rio Paranapanema.

1659 - a Capitânia do Ceará (e a região praticamente inexplorada do Piauí) passam para o controle da Capitania de Pernambuco. O Piauí será explorado por Domingos Jorge Velho, em 1671, sob essa gestão.

1665 - criação da Capitania de Ilha Grande de Joanes, atual Ilha do Marajó, no Grão-Pará.

1667 - sob ordens do governador de Pernambuco, exploradores e colonos, como Mafrense, Julião Afonso Serra e outros se assentam em Oeiras, até então em área cearense, expandindo o domínio pernambucano do Rio Parnaíba até a Serra do Araripe.

1674 - criação da Capitania do Paraíba do Sul, também conhecida como Capitania de Campos dos Goytacazes, atual região norte do Estado do Rio de Janeiro.

1679 - praticamente toda a Capitania de Itanhaém é incorporada pela de São Vicente. Apenas a cidade originária mantém o "status" de capitania - e até sobre isso há controvérsias.

1680 - fundação da Colônia do Sacramento, no Rio da Prata.

1680 - cs espanhóis retomam as terras de Sacramento.

1681 - Tratado de Lisboa: Os portugueses reconquistam Sacramento.

1685 - criação da "sub-capitania" do Xingu e extinção da "sub-capitania" de Vigia, ambas no Grão-Pará.

1691 - criação da "sub-capitania" do Icatu, no Maranhão.

1696 - Pernambuco avança em terras do Ceará com a ocupação da região de Campo Maior.

1697 - invasão francesa nas terras da "sub-capitania" do Cabo Norte, que perde a região compreendida entre o Rio Oiapoque e o Rio Araguari.

1699 - Pernambuco avança sobre o Ceará ocupando a região de Parnaíba.

1700

1701 - a Capitania do Rio Grande perde autonomia e passa a ser controlada pela Capitania de Pernambuco.

1705 - os espanhóis mais uma vez tomam a Colônia do Sacramento.

1709 - após a Guerra dos Emboabas, a Capitania de São Vicente engloba a do Paranaguá e se torna a Capitania de São Paulo e Minas de Ouro (auge da expansão bandeirante, agora paulista).

1713 - I Tratado de Utrecht: O Grão-Pará reconquista o território do norte do Amapá junto aos franceses.

1715 - II Tratado de Utrecht: Colônia do Sacramento é reconquistada pelos portugueses. A Capitania do Maranhão engloba as terras do futuro Estado do Piauí.

1718 - criação da Capitania do Piauí, no Estado do Maranhão e Grão-Pará.

1720 - a Capitania de São Paulo e Minas de Ouro é dividida em São Paulo e Minas Gerais.

1732 - a Capitania do Paraguaçu é convertida em Capitania do Recôncavo Baiano.

1738 - criação da Capitania de Santa Catarina, destacada de São Paulo e subordinada diretamente à Capitânia do Rio de Janeiro.

1748 - criação da Capitania do Mato Grosso e da Capitania de Goiás, de terras antes de São Paulo. A Capitania de São Paulo é extinta, incorporada pela do Rio de Janeiro.

1750 - Tratado de Madrid (primeiro tratado internacional de reconhecimento de fronteiras do Brasil, após o fim da União Ibérica) concede terras ocupadas por portugueses na Amazônia, como também cede os Sete Povos das Missões e terras dos pampas gaúchos ao Brasil. Extinção da Capitania do Paraíba do Sul, incorporada pela do Rio de Janeiro.

1751 - o Estado do Maranhão e Grão-Pará muda de nome. Agora, Estado do Grão-Pará e Maranhão, com transferência de capital para Belém.

1753 - as "sub-capitanias" do Grão-Pará e Maranhão são extintas, com exceção da de Ilha Grande e de Cametá. A Capitania da Paraíba também chega ao fim, incorporada totalmente pela de Pernambuco. As terras da antiga Capitania do Paraíba do Sul passam a fazer parte da do Espírito Santo.

1754 - extinção das "sub-capitanias" de Ilha Grande e do Cametá. A Capitania de Itamaracá perde a autonomia e passa a ser comandada pela de Pernambuco.

1755 - criação da Capitania do Rio Negro, no atual Amazonas.

1757 - a região de Minas Novas deixa a Capitania de Porto Seguro e passa a ser controlada pela Capitania de Minas Gerais.

1760 - criação da Capitania do Rio Grande de São Pedro, atual Rio Grande do Sul, subalterna à Capitania do Rio de Janeiro.

1761 - Tratado de El Pardo: Os portugueses devolvem os Sete Povos das Missões após a Guerra Guaranítica em troca da posse da Colônia do Sacramento e terras ao norte da Amazônia. As capitanias de Ilhéus e de Porto Seguro são extintas, incorporadas à da Bahia.

1762 - os espanhóis não se importam com o tratado do ano anterior e reconquistam Sacramento.

1763 - os portugueses investem novamente e retomam a Colônia do Sacramento dos espanhóis. A Capitania de Itamaracá é extinta, absorvida totalmente pela de Pernambuco.

1764 - a Capitania de Minas Gerais incorpora terras do atual Estado de São Paulo à oeste do Rio Sapucaí e Rio Grande.

1765 - a Capitania de São Paulo é recriada, obtendo a autonomia perdida para o Rio de Janeiro. A Capitania de Minas Gerais passa a controlar a região de Paracatu (noroeste do atual estado) provavelmente a partir dessa data (a transição não tem data certa conhecida, mas é sabido que, em 1798, Paracatu se emancipou de Sabará, cidade mineira)..

1766 - a Capitania do Recôncavo Baiano é extinta, incorporada pela da Bahia.

1772 - o Estado do Grão-Pará e Maranhão é dividido em dois: Estado do Grão-Pará e Rio Negro e Estado do Maranhão e Piauí, com essas respectivas capitanias.

1774 - ambos os estados recém-criados mudam de nome: Estado do Grão-Pará e Estado do Maranhão. As capitanias perdem autonomia.

1777 - espanhóis invadem e conquistam, primeiro a ilha da atual Florianópolis, e depois toda a Capitania de Santa Catarina.

1777 - Tratado de Santo Idelfonso: confirmação das fronteiras do norte e cessão das Missões, dos Pampas e de Sacramento aos Espanhóis, em troca do retorno de Santa Catarina aos portugueses, no ano seguinte.

1778 - Tratado de El Pardo: A Capitania do Rio Grande de São Pedro readquire as terras dos pampas gaúchos, cedidas no ano anterior. A Capitania de Santa Catarina é retornada aos portugueses

1793 - extinção da Capitania da Ilha de Itaparica, incorporada pela Capitania da Bahia.

1799 - as Capitanias do Ceará, Rio Grande e Paraíba são recriadas ou readquirem a autonomia.

1800

1800 - a Capitania do Espírito Santo perde autonomia e passa a ser comandada pela Capitania da Bahia.

1801 - Tratado de Badajoz: os franceses adquirem o território do atual Amapá até o Rio Araguari.

1804 - a Capitania do Rio Grande de São Pedro incorpora, de vez, as terras das Missões e áreas ao sul até o Rio Uruguai.

1807 - a Capitania do Rio Grande de São Pedro se torna a Capitania do Rio Grande do Sul e controla também a Capitania de Santa Catarina. A Capitania do Rio Grande se torna a Capitania do Rio Grande do Norte.

1808 - o Grão-Pará reincorpora territórios no Amapá até o Rio Oiapoque e a área norte de Goiás se torna a Capitania de São João das Duas Barras.

1809 - o Brasil invade a Guiana Francesa e estabelece a Colônia de Caiena e Guiana.

1810 - a Capitania do Espírito Santo recupera a autonomia perdida para a da Bahia.

1811 - o Estado do Maranhão é dissolvido e as Capitanias do Maranhão e Piauí recuperam autonomia.

1814 - a Capitania de São João das Duas Barras é extinta e reincorporada à Goiás (e Grão-Pará e Mato Grosso).

1816 - Goiás perde áreas que são incorporadas pelo Mato Grosso e por Minas Gerais (Triângulo Mineiro).

1817 - Tratado de Viena: O Brasil devolve Caiena aos franceses. Criação da Capitania de Alagoas a partir de terras de Pernambuco.

1820 - a Capitania de Sergipe é criada a partir de terras da Bahia.

1821 - o Brasil incorpora a Cisplatina, ao sul. O Estado do Grão-Pará é dissolvido, tornando-se uma única entidade. Santa Catarina obtém a autonomia do Rio Grande do Sul.

1821 - por um breve período, é proclamada a Capitania de São João da Palma, na área do atual Tocantins e adjacências. Todas as capitanias se toram províncias.

1822 - São João da Palma é extinta e a área é incorporada por Goiás (Grão-Pará e Mato Grosso também).

1824 - após a revolta da Confederação do Equador, Pernambuco é punido com a perda dos territórios da margem oeste do Rio São Francisco para a Província de Minas Gerais.

1827 - a Província da Bahia incorpora boa parte dos territórios da margem oeste do Rio São Francisco (futura Comarca do São Francisco).

1828 - Tratado do Rio de Janeiro: A Província Cisplatina obtém a independência como República Oriental do Uruguai.

1832 - a Província do Rio de Janeiro obtém, do Espírito Santo, a região norte do atual estado carioca.

1834 - criação do Município Neutro do Rio de Janeiro, dentro da Província do Rio de Janeiro.

1836 - Revolução Farroupilha, o Rio Grande do Sul se proclama independente. Isto não quer dizer que o Brasil tenha reconhecido essa independência. 

1839 - República Juliana, Santa Catarina se proclama independente. Isto não quer dizer que o Brasil tenha reconhecido essa independência.

1839 - Santa Catarina é reincorporada pelo Brasil como uma província.

1840 - Rio Grande do Sul é reincorporado pelo Brasil como uma província.

1850 - a Província do Grão-Pará se reparte em Província do Amazonas e Província do Pará.

1853 - a Província do Paraná é criada ao sul da Província de São Paulo.

1867 - Tratado de Ayacucho: Brasil reconhece o Acre como terra boliviana e em troca recebe o sudoeste do Amazonas e áreas fronteiriças no Mato Grosso. Sobre o Oeste Catarinense: constam mapas como sendo terra paranaense até 1866 e catarinense já em 1878. Na verdade, a região se encontrava em litígio, cada estado considerava seu (até a Argentina reivindicava o local), até o fim da Guerra do Contestado, em 1916.

1870 - com o fim da Guerra do Paraguai, o Brasil incorpora o Itatim paraguaio, no atual Mato Grosso do Sul. A região de Luis Correia deixa o Piauí e passa ao território do Ceará.

1872 - .fronteiras de Mato Grosso/Goiás, Minas Gerais/Espírito Santo; e Mato Grosso/Pará/Amazonas atualizadas de acordo com o IBGE.

1880 - a região de Crateús deixa o Piauí e adentra ao Ceará e a área de Luís Correia deixa o Ceará e volta ao Piauí.

1886 - o Brasil perde a zona norte do atual Amapá com a proclamação da República de Cunani.

1887 - o Brasil recupera a zona norte do atual Amapá.

1889 - o Município Neutro do Rio de Janeiro se torna o Distrito Federal com a proclamação da República do Brasil.

1895 - a França invade a área norte do atual Amapá para por fim a República de Cunani. A arbitragem norte-americana decide que a região do Contestado Catarinense é Brasileira (desde a queda de Guairá, sempre foi, apesar do litígio).

1900

1900 - arbitragem suíça decide que a área norte do atual Amapá é brasileira.

1903 - o Acre é incorporado pelo Brasil como um território federal.

1911 - a região do Alto Araguaia agora é parte do Mato Grosso (a data de transferência é incerta).

1916 - a região do Contestado Paranaense/Catarinense passa a ser, definitivamente, de Santa Catarina.

1943 - por causa da Segunda Guerra Mundial são criados os territórios do Amapá, Rio Branco (atual Roraima), Guaporé (atual Rondônia), Ponta Porã (sul do Mato Grosso) e Iguaçu (Oeste do Paraná e Santa Catarina).

1946 - os territórios de Ponta Porã e Iguaçu são extintos, reincorporado aos estados de origem.

1948 - o litígio fronteiriço entre Minas Gerais e Espírito Santo se agrava e eclode um confronto militar.

1956 - o Território do Guaporé se torna o Território de Rondônia.

1960 - criação do atual Distrito Federal. O antigo se torna o Estado da Guanabara.

1962 - Acre e Amapá deixam a condição de territórios e se tornam estados. O Território de Rio Branco se torna o Território de Roraima.

1963 - fim do litígio fronteiriço entre Minas Gerais e Espírito Santo.

1975 - o Estado da Guanabara é extinto e incorporado pelo Estado do Rio de Janeiro (lei aprovada em 1974).

1979 - criação do Estado do Mato Grosso do Sul a partir do Mato Grosso (lei aprovada em 1977).

1981 - o Território de Rondônia se torna o Estado de Rondônia.

1988 - o Território de Roraima se torna o Estado de Roraima. Criado o Estado do Tocantins.

October 11, 2022

NÁDEGAS A DECLARAR

Eis que se encontra na internet (VEJA LINK COMPLETO), em um artigo de opinão postado em 06/10/2021:

"(...) O Brasil é um caso perdido porque os brasileiros, em sua ampla maioria, são um caso perdido. É uma gente, via de regra, infelizmente, tosca, completamente ignorante, despolitizada, desinteressada, intelectualmente preguiçosa e, sim!, leniente com crimes e criminosos, e cúmplice de políticos bandidos.

Claro. Eu conheço as razões de tudo isso: falta de escolaridade, pobreza extrema, etc. Compreendo muito bem a situação de quem trabalha, de sol a sol, e mal consegue sobreviver. O que escrevo acima não é uma condenação ou crítica, mas a nua e crua constatação dos fatos e da realidade nacional. (...)".

Nádegas a declarar.

October 06, 2022

ELEIÇÕES 2022

Um pouco dos números das eleições 2022.


August 13, 2022

QUAL O VOLUME DA LAGOA JUPARANÃ?

Durante uma revisão sobre as mais importantes lagoas do Brasil, no âmbito do projeto Brazil 2.0, não foi encontrado nenhum artigo acadêmico que respondesse com clareza qual a mais volumosa lagoa do país. Com números imensos, a Lagoa Mirim se tornou a opção mais provável (IPH, 1998). Contudo, uma página da Prefeitura de Linhares, Espírito Santo (VER), afirmava que a belíssima e incrível Lagoa Juparanã, que fica no município, era a mais volumosa do Brasil. Desconfiando da afirmação, e diante da ausência de uma informação clara sobre o assunto, o Vox Hub resolveu estimar o volume da lagoa, usando um princípio matemático de proporcionalidade.


Tomemos no cálculo de profundidade média a mesma proporção que a profundidade média do Lago Palmas (21,4m, outro lago de Linhares, vizinho a Juparanã) tem de sua profundidade máxima (50,7m), com dados coletados de Barroso et al. (Plos One, 2014); esta relação é 0,42209, que, levada à profundidade máxima estimada de 20,0m, temos 8,44m de profundidade média na Lagoa Juparanã.

Com uma área de 68,58 km² (Amorim Gonçalves, Dissetação, 2015) e esta profundidade média de 8,44 m, a lagoa Juparanã tem apenas 0,5281 km³ de volume, sendo praticamente 32 menos volumosa que a Lagoa Mirim, porém cerca de 2,5 mais volumosa que o Lago Palmas (Barroso et al. 2014).

Portanto, é falsa a afirmação que a Lagoa Juparanã é a mais volumosa do Brasil - na verdade é a 2ª, sendo a Lagoa Mirim a primeira.

February 09, 2022

BRASIL, ARGENTINA, RÚSSIA E CHINA

O mundo se polariza. De um lado o Ocidente, com os EUA e seus vassalos rastejantes: Reino Unido, UE, Canadá, Austrália e Japão; e do outro as potência nucleares altaicas, China e Rússia, associados a uma turma bem indesejável: Iran, Cuba, Nicarágua, Síria e Venezuela.

Pauta bastante presentes nos discursos das alas mais radicais da política em países do 3º mundo, o imperialismo euro-estadunidense é uma realidade desde as Grandes Navegações, mas pela primeira vez há um cotraponto. China, com suas políticas econômicas de domínio, esta expandindo e controlando a África e a América Latina, basicamente as nações menores - no entanto, as grandes, como a Argentina e Brasil, bem discretamente fazem sinais.

February 07, 2022

FRANÇA: UM PAÍS DEPLORÁVEL

Todos sabem que a França é um país com profunda divergência com o Brasil. Ela costuma criar entraves internacionais ao nosso país, muitas vezes sobre uma bandeira de 'defesa da Amazônia', como gosta de bradar o 'Lacron', mas existe na verdade um receio com a competitiviidade brasileira com o setor primário que, embora seja pouco relevante no PIB galico, é historicamente notável.

No vídeo abaixo, da Sputnik, uma pequena explanação de como a França fracassou como potência de pacificação no Mali e abriu espaço para Moscou ganhar este país na sua esfera de influência militar, nas palavras do próprio govenno malinês.